Publicado por: Evaldo Oliveira | Julho 8, 2016

NA MANSÃO DAS MÁSCARAS

Logo na chegada fui recebido por belas máscaras. São mais de quinhentas, dispostas em quase todos os lugares da casa. Mas é nas amplas e iluminadas varandas que a mistura das máscaras nos emociona.

Em um local estratégico, um nicho com dezenas de máscaras de Pernambuco, de rostinhos colados, exibem-se com graça. Parecem cochichar.

Caminhando pelas varandas, somos forçados a olhar para uma máscara especial, com um metro e meio de altura, em madeira, que nos remonta aos recônditos dos labirintos medievais. Em outro nicho, máscaras africanas nos encantam pela originalidade e beleza.

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Em certo momento, ficamos sem saber para qual lado nos dirigirmos, tantos os apelos de cores, materiais e adereços.

Mas foi em um cantinho, no final de uma longa varanda, onde dezenas de máscaras parecem clamar por nossa atenção, que percebi algo diferente. Uma miniatura. Uma coisinha pequena. Uma máscara menor do que um morango.

Ao me aproximar, percebo tratar-se de um crânio de um pequeno pássaro. Avalio, fotografo, faço um carinho com o olhar. E o dono da casa surge para me explicar. Todos os dias um passarinho de cor cinza passava um bom tempo naquela varanda, cantando e se exibindo. Isto aconteceu durante várias semanas. E ficou amigo da família.

Certo dia o passarinho apareceu morto sobre uma das mesas da varanda. O jardineiro, sabendo do carinho dos donos da casa por aquele pequeno animal, apanhou o pequenino pássaro e preparou uma surpresa para o dono da casa. Havia deixado limpo o crânio do passarinho sobre o tampo de uma mesa. O dono da casa ficou emocionado, e mandou dar um tratamento especial àquela peça. O morango ao lado serve apenas para comparação.

Hoje a pequenina máscara junta-se a outras, bem maiores. Ali, no cantinho, só percebida por curiosos como eu.

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Um pequeno pássaro eternizado no rol das máscaras, uma calçada da fama na vertical.

Ou a calçada seria um muro na horizontal?

Depois daquela visita, meu escritório ficou assim. Veja no canto os bichinhos de Gaudi se digladiando.

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EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN


Responses

  1. Comovente tua crõnica, Evaldo!
    Amei a máscara do crânio, tão pequeno q te chamou a atenção e o motivo pelo qual lá se encontrava.
    Uma exposição de causar brilho nos olhos de quem a visita.
    Parab€ns por mais um belo escrito para teu livro de crõnicas.


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