Publicado por: Evaldo Oliveira | Julho 1, 2016

UMA SIMPLES SUSPEITA PODE MUDAR UM HOMEm

De sua casa, através da persiana, Jairo observava a rua. Era final de noite, quase madrugada. De repente, um carro para defronte à casa do vizinho da frente. A porta do motorista se abre e sai alguém que, de forma suspeita, coloca algo sobre a calçada. Estava escuro, mas deu para Jairo perceber os movimentos sorrateiros, suspeitos. Não havia dúvida. O carro chegara com as luzes apagadas, apenas com os faroletes ligados, e ali deixara um pacote escuro e grande. Talvez um cadáver. O carro afastou-se rapidamente. Por mais que se esforçasse, não conseguira perceber o número da placa do veículo. Os indícios indicavam que alguém jogara na calçada da casa em frente o corpo de alguém dentro de um saco grande de lixo.

Jairo hesitou um pouco, observou novamente o pacote escuro sobre a calçada e tomou a decisão que considerou acertada. Ligou para o vizinho da frente, àquela hora entregue aos braços macios de Morfeu, o filho de Hipno. Com voz tensa, o vizinho comunicou o acontecido. O recém-despertado, que passara o dia todo envolvido com suas aulas de esperanto, apenas respondeu com voz rouca: “Foi meu filho que trouxe a chave de um carro que eu vendi hoje – e a deixou no porta-cartas. É que prometi entregá-la ao comprador logo cedo, pois ele vai viajar no carro pela manhã”. Obedecido o protocolo de desculpas, Jairo aguardou um pouco e, de forma disfarçada, foi com uma lanterna observar o pacote que continuava sobre a calçada. Lá chegando, percebeu que se tratava de uma planta que ali existia há muito tempo, e que à noite tomara a forma de algo de grandes proporções.

Lembrei-me do folclore alemão, que conta a estória de um homem que, ao acordar, reparou que seu machado desaparecera. Furioso, acreditando que seu vizinho o tivesse roubado, passou o resto do dia observando-o.

Viu que tinha jeito de ladrão, andava furtivamente como ladrão, sussurrava como um ladrão que deseja esconder seu roubo. Estava tão certo de sua suspeita que resolveu entrar em casa, trocar de roupa e ir até a delegacia dar queixa do vizinho.

Assim que entrou, porém, encontrou o machado – que sua mulher havia colocado em outro lugar. O homem tornou a sair, examinou de novo o vizinho e viu que ele andava, falava e se comportava como qualquer pessoa honesta.

Nossos sentidos, nossa mente, nossa decisão.

Prudência. E caldo de galinha.


Responses

  1. Meu caro amigo Evaldo! Quem em Areia Branca nunca viu uma “MARMOTA DESSA” ? Me faz lembrar dos pés de cera na praia de Upanema nas noites de lua. Levei muitas carreiras com medo, pois quando os pés de cera balavam ao vento, pareciam pessoas. Fora as estórias de PAPA FIGO, MULA SEM CABEÇA, e outras tantas contadas por nossos pais para que ficássemos dentro de casa, e sem contar com os comentários das almas que apareciam nas casas mal assombradas. Até agosto amigo. Deus te abençoe

  2. Vale pra desconfiança e pra raiva também. Lembra de Zeca diabo, personagem de Lima Duarte em O Bem Amado, contando: “É um…e é dois…e é três…(valei-me, meu padin pade Ciço)…e é quatro…”?


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