Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 27, 2016

DE QUINTAIS II

Sempre gostei de quintais. Quando visito cidades do interior, a primeira coisa é me dirigir aos quintais das casas. Em Pirenópolis, cidade goiana a cento e cinquenta quilômetros de Brasília, caminhei por quintais com mais de trezentos anos. A sensação é de que estamos no túnel do tempo, pois continuam do mesmo jeito, com seus muros de pedra rústica. Em Areia Branca, cidade do interior do Rio Grande do Norte, um belo e pequenino quintal me emocionou pela beleza de suas flores.

Mas há outros tipos de quintais. São aqueles dos apaixonados pela cultura regional dos seus Estados. Visitei um desses, aqui em Brasília. Em um local da casa, somos saudados por duas esculturas em tamanho natural, em barro, dos donos da casa vestidos a caráter. O negócio é levado tão a sério que a figura masculina, no dia da minha visita, estava com um curativo no olho esquerdo, porque o original havia feito uma cirurgia ocular naquele dia e usava uma lente de contato terapêutica no olho.

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Espalhadas pelas imensas varandas, figuras populares ganham forma e vida, vultos se avolumam ou renascem. Ali, a literatura agiganta-se com o reforço das esculturas do povo.

Nesse quintal que visitei, algumas das melhores peças em metal foram produzidas por um torneiro mecânico do interior do Piauí. As belas figuras do Michael Jackson em uma de suas poses típicas e a de um autêntico Luiz Gonzaga e sua sanfona saíram da lavra daquele homem simples.

Michel Jackson

Naquele imenso quintal encarei outro Luiz Gonzaga em barro com dois metros de altura, bem como belíssimas mulatas nordestinas com seus seios à mostra, e bêbados jogados na sargeta, o cachorro a lamber-lhes o rosto.

Convidado pelo anfitrião, fui a um setor especial daquele imenso quintal: o Espaço Caruaru. Ali o Nordeste se escancara inteiro, com seus personagens brotando em nichos reservados para suas exibições.

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No Espaço Caruaru encontrei toda a família de Vidas Secas – Fabiano e Sinha Vitória com os dois filhos, o papagaio – antes de ser comido – e a cachorra Baleia em um local de destaque. Só faltaram seu Tomás da bolandeira e o soldado amarelo. Ali encontrei procissões católicas com seus andores, e figuras de meninos desocupados brincando com as coisas do chão.

DSC03392Museu pernambucano em pleno planalto central. É ir a Brasília e conferir.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Evaldooliveira16@gmail.com


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