Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 1, 2016

O NÓ GÓRDIO e a ética

Frígia era uma província romana na região centroeste da antiga Ásia Menor (Anatólia), território da moderna Turquia. Ali floresceu o Reino da Frígia, famoso por seus reis lendários. A Frígia era aliada dos troianos e participou da Guerra de Troia.

Foi na Frígia que um camponês de nome Górdio foi coroado rei e, para não esquecer o seu passado humilde, colocou no templo de Zeus a carroça com a qual ganhara a coroa. E amarrou a carroça a uma coluna com um nó impossível de ser desatado.

Górdio reinou por muitos anos, e ao morrer seu filho Midas – aquele que transformava em ouro tudo que tocava – assumiu o trono. Midas não teve filho, e ao falecer ficou decidido que quem desatasse o nó de Górdio dominaria toda a Ásia Menor.

Quinhentos anos se passaram sem que alguém conseguisse realiazar esse feito, apesar de sucessivas tentativas de algumas pessoas. No ano de 334 a.C., o jovem Alexandre ouviu essa lenda ao passar pela Frígia. Ficou intrigado com essa questão e foi até o templo de Zeus observar o nó de Górdio. Pensou, analisou e, de súbito, sacou sua espada e cortou o nó. “Assim não vale”, disse alguém. E por que não? Era apenas uma solução nova para um problema antigo. “O Grande” foi apenas mais um epíteto juntado ao seu nome.

Este fato lembra o ocorrido com Cristóvão Colombo. Ele participava de um banquete e, como era natural, foi colocado em posto de honra. Um dos convidados, enciumado, dirigiu-se a Colombo e perguntou com impertinência: Se você não tivesse descoberto a América, por acaso não existem outros homens na Espanha que poderia fazê-lo? Colombo preferiu não responder. Propôs então uma prova antológica: levantou-se, pegou um ovo de galinha fresco e convidou a todos os presentes que tentassem colocá-lo de pé sobre um dos seus extremos.

Quase todos os presentes tentaram sair-se bem naquela missão. Percebendo que ninguém conseguia, Colombo pôs-se de pé, pegou o ovo e o bateu levemente contra a superfície da mesa até que quebrou um pouco da casca de uma das pontas, e o ovo se manteve na posição vertical. “Claro que desta maneira qualquer um pode fazê-lo”. Colombo retrucou: Sim, qualquer um. Mas qualquer um que lhe tivesse ocorrido fazê-lo. E acrescentou: Uma vez eu mostrei o caminho ao Novo Mundo. Qualquer um poderia fazê-lo. Mas alguém teve antes que ter a ideia. E alguém teve depois que decidir-se e colocá-la em prática.

Como o ser humano conseguiu enfim voar com segurança? E a tragédia de Ícaro não foi uma proposta que permeou as tentativas de solução?

Ideia. O nó górdio da questão.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN


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