Publicado por: Evaldo Oliveira | Setembro 25, 2015

UM NATALENSE NA REDE PÚBLICA DE SAÚDE

UM NATALENSE NA REDE PÚBLICA DE SAÚDE

No mês de abril fui a Natal, e encontrei meu amigo Haroldo (nome fictício). Vou contar sua estória do início. O homem do caminhão andara preocupado em 2014. Tinha 70 anos e precisava urgentemente operar-se de uma hérnia inguinoescrotal à direita, que dificultava seriamente o seu trabalho. Era dono de um caminhão há 20 anos e, diariamente, de domingo a domingo, realizava mudanças, outras vezes transportava mercadorias para o interior do estado, além de materiais para construção e reforma de moradias. E sempre ajudava a descarregar seu caminhão.

Sem conseguir desenvolver seu trabalho, devido aos incômodos trazidos pela hérnia, tomou a decisão de procurar assistência médica. Por não possuir plano de saúde, dirigiu-se à rede pública de saúde. No Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal, era mais um paciente na sala de espera do cirurgião, naquela manhã quente. Estava confiante, pois sabia ser uma cirurgia de fácil realização. Há muitos anos havia operado uma hérnia inguinal do lado oposto, sem dificuldades ou intercorrências. Chegada sua vez de ser atendido, o médico o examinou e confirmou o diagnóstico da hérnia. Em seguida foram solicitados os exames pré-operatórios e o risco cirúrgico.

Dias depois, com os resultados dos exames em mãos, retornou ao consultório do médico. Ao abrir os envelopes e analisar os laudos, uma surpresa: estava com 100% da artéria carótida direita obstruída, e a esquerda com uma obstrução de 80%. A carótida é essa artéria que passa pelo pescoço e irriga boa parte do cérebro. No coração, obstrução acentuada das artérias coronárias era o corolário de um quadro dominado por obstruções e semi-obstruções de artérias responsáveis pela irrigação de órgãos vitais. Por determinação do médico, o paciente saiu dali para a enfermaria de cirurgia cardiovascular.

Na chegada à enfermaria, uma sensação de bem estar e uma injeção de ânimo. As camas e os equipamentos eram de excelente qualidade, e o ambiente contava com iluminação natural e boa ventilação. Quase não dava para acreditar que se tratava de um hospital público.

Eraldo no Hosp.

A resposta ao tratamento clínico foi rápida e eficaz. A artéria coronária direita passou de 100% para 80% de obstrução e a esquerda baixou de 80% para 60%. Com esse resultado, foi marcada a cirurgia – endarterectomia – para retirada da placa de gordura e cálcio que insistia em obstruir grande parte de sua carótida direita. Cirurgia realizada com sucesso.

Terminado o período de recuperação, e ainda internado, foi marcada a cirurgia das coronárias, com colocação de duas pontes de safena para correção das graves obstruções nas artérias do seu coração. Sucesso absoluto. E abriu a camisa para expor a cicatriz no peito.

Haroldo já retornou ao seu trabalho com o caminhão, seguindo as orientações dos médicos que o operaram. Nada de esforços maiores. Até trocou seu caminhão por outro menor, de mais fácil condução. Satisfeito, aguarda para agosto a realização de sua cirurgia de hérnia.

Hospital público do Nordeste. Atendimento respeitoso e de excelência.

A saúde pública no Brasil pode ser de boa qualidade, sim!


Responses

  1. Dr. Evaldo
    Em meio a tantos fatos negativos com relação a saúde pública, eis uma excelente notícia para afastar o temor de sermos atendidos neste setor.

    Ótima crônica.
    Grande abraço.


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