Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 6, 2015

O MENINO QUE AMAVA O LUAR

Raul era um menino de comportamento estranho. Aguardava a fase em que a lua ganhava corpo e força, e gostava de ficar olhando o céu durante a noite, até ser levado para o lado de lá do sonho. Passeava o olhar pelas estrelas, mas era a lua que ele realmente admirava, mas não sabia por quê.

Criança, logo percebeu que a lua iniciava sua caminhada no céu em forma de casca de melão, fininha e curvada. Ia crescendo, se alargando, até ficar parecida com uma banda de melancia, ia se arredondando até chegar a quase explodir de tão gorda.

O menino estava ansioso. Sabia que no dia cinco de maio a lua se apresentaria esplendorosa, maior e mais brilhante, passando 25 mil quilômetros mais perto da terra, parecendo ser 14% maior. Arranjaram até um nome para o fenômeno – superlua.

Os pais de Raul estavam de mudança para São Paulo, e o menino queria saber se daria para continuar vendo a lua caminhando no céu, como faz em sua casa. Sua mãe ponderou, e respondeu que imaginava não ser possível essa visão quase ilimitada do céu, devido à altura dos edifícios em torno de sua futura casa.

O dia da viagem se aproximava. Raul pediu que a partida fosse adiada para depois do dia cinco de maio. Ele sabia exatamente o dia da próxima lua cheia – a superlua -, e queria levar a imagem de sua última visão. À noite, puxou sua cama para junto da janela e ficou contemplando o céu iluminado. Logo, ela apareceu no canto direito. Estava maravilhosamente amarelinha, mostrando suas crateras de queijo do reino roído.

De repente, algumas nuvens escuras tentavam encobrir sua visão. Mas logo foram retiradas por um vento maroto que, com seus chicotes, espantaram os intrusos celestiais. De sua cama, junto à janela, o menino percebia que a lua reinava absoluta. Calado, apenas sorria.

De repente, nuvens em conluio tentavam se agrupar. Raul imaginou que elas tinham a intenção de encobrir o céu. O menino ficou alvoroçado. Logo percebeu que havia algo de inusitado acontecendo pros lados das nuvens. Ele não sabia ler o que estava escrito, mas entendia muito bem as letras do seu nome: R, A, U e L. E as nuvens foram se juntando para, finalmente, formar uma palavrinha conhecida: RAUL.

O menino estava embevecido, e sorriu. Com os olhos fixos no céu, percebeu que flutuava feito uma pluma. Não sentiu um tiquinho de medo. Subiu, subiu, e logo se deu conta de que estava entre a lua e as nuvens, pois conseguia ler seu nome do alto, e pela primeira vez de forma invertida: L-U-A-R.

Raul encostou a cabeça no travesseiro e dormiu.

Superlua

SUPERLUA – Foto da Internet

Obs.: Crônica publicada em 2012 no blog Era Uma Vez Em Areia Branca


Responses

  1. Bela crônica, Dr. Evaldo!
    Parabéns!

  2. Nobre amigo Evaldo.
    Vi, li e gostei. “Beleza pura”.
    Um abraço.


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