Publicado por: Evaldo Oliveira | Setembro 12, 2014

UMA TAÇA DE VINHO EM ROMA, o que há de especial nisso?

Quando se fala de Roma, os interesses de todos os turistas se voltam para as centenas de monumentos históricos e de sítios arqueológicos que escancaram um passado de glorias. Para ficar com apenas duas opções, citarei o Fórum Romano e os arcos edificados pelos antigos romanos, dentre os quais se destaca o Arco de Constantino, em estilo coríntio, inaugurado em 25 de julho de 315 para homenagear a vitória de Constantino sobre Massêncio, na batalha de Ponte Mílvia em 312 d.C., e a Cidade do Vaticano, um importante enclave da Igreja Católica em pleno coração da capital da Itália.

À revelia do GPS oficial, caminhávamos por pequenas ruas do centro de Roma, onde boa parte dos turistas não passa, e aproveitando os últimos fios de um frio que castigara a Cidade dos Césares. Saímos da Piazza del Popolo no sentido da Piazza di Spagna, nas cercanias do rio Tevere – ou Tibre -, que no século VIII a.C. era via de transporte de diversos materiais até o centro da cidade, em especial de vinho e azeite. De repente, à nossa direita, um bistrô. À primeira vista, apenas uma porta interditada para dar lugar a uma exuberante vitrine de vinhos e azeites, e outra para entrada dos clientes. Uma nova olhada para o seu interior, e a descoberta de mesinhas redondas muito antigas, ladeadas por prateleiras repletas de alguns dos melhores vinhos da Itália. Uma ligeira pesquisa nos mostrou que o lugar, ao longo dos anos, foi local de vários filmes, entre os quais Paolo II Caldo e Metello, feitos por M. Bolognini.

Não deu para resistir. Fomos atendidos por dois irmãos, Francesco e Vincenzo Buccone, com o enlevo de um tratamento envolto em cortesia e respeito. Os dois simpáticos senhores são os representantes de uma dinastia especializada em bem servir a mesas frequentadas por pessoas naturalmente selecionadas. A alegria com que os dois se dirigiam aos convivas ali presentes sobrou para nossa mesa. Poucas vezes fomos atendidos com tanta cortesia e presteza.

Nos momentos que se seguiram, vinhos brancos italianos provocaram um agradável desmanche – hoje, uma desformatação – em nosso aparelho gustativo, prorrogando nossa permanência naquele ambiente inaugurado no final do século XIX.

Uma viagem. Uma descoberta. O prazer.


Responses

  1. Amigo querido, em contrapartida, acredito também ser possível desfrutar de momento semelhante, de grande prazer, também num ambiente mais simples, com gosto salitrado, e, mesmo com um vinho menos refinado, mas com batuque e músicas que reportam a um passado saudoso, com gosto de “quero mais”…como aconteceu há um mês quando te acompanhavam os amigos Chico Brito, Ricardo Dimas e teu mano Ivo, sob uma noite de lua…
    Como sempre, bela crônica!
    Um abraço.

  2. Oi Evaldo, há um ano, fiz um passeio e vendo o teu roteiro, vi que ficou bem próximo do meu – Roma, Grécia – Ilhas gregas, Turquia e Portugal. Alguns passeios coincidiram, não dei o adeusinho no interior do cavalo de tróia, mas tomei o vinho, isso não poderia faltar. Esse meu passeio foi um cruzeiro, claro que tem algumas limitações, mas , no fundo foi muito bom. Achei ótimo o que você apresentou porque fui recordando o que vi. É isso aí. Beijos. Erinalda Galvão


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