Publicado por: Evaldo Oliveira | Agosto 2, 2014

DAS MINAS DE WIELICZKA AO SALITRE DE AREIA BRANCA

Fica em Wieliczka, cidade ao sul da Polônia, na área metropolitana de Cracóvia, a maior mina de sal gema do mundo, fundada em 1290. É constituída por um conjunto de escavações dispostas em nove níveis, que vão até 327 metros de profundidade e possui mais de 300 quilômetros de galerias. Sua origem remonta a 13,5 milhões de anos, e se deve à cristalização do sal diluído na água do mar. Em Wieliczka, localizada nas proximidades dos campos de concentração de Auschwitz e Birkenau, respira-se o ar mais puro do mundo, com uma temperatura constante de 14°. Em um dos níveis mais profundos da mina – aonde se desce em potentes elevadores – funciona um hospital de haloterapia – terapia de sal -, indicada para pessoas com doenças pulmonares.

Esta mina foi visitada por Nicolau Copérnico, Goethe, Bill Clinton, João Paulo II e por mim, há quatro anos, quando tive o privilégio de pôr meus pés naquelas terras estranhamente salitradas. Pois é um sal diferente, de várias cores. Durante a segunda guerra mundial, as minas foram ocupadas pelos alemães, que as transformaram em armazém para fábricas de produtos militares. Insisto em lembrar de suas proximidades dos dos campos de concentração de Auschwitz e Birkenau.

O ar salitrado dessas cavernas pode atuar na mucosa respiratória como um alívio ou um bem-estar no respirar das pessoas, explica o chefe do setor de Alergia e Imunologia do Hospital do Servidor, Dr. Carlos Loja.

Em Londres, como não há uma dessas cavernas naturais de sal, foi construída a primeira clínica de terapia de sal da capital britânica, sendo suas paredes e mobiliários cobertos por uma camada de sal.

Ao expulsar Caim do Paraíso, e após marcá-lo com um sinal, Javé teria dito: Andarás errante e perdido pelo mundo. Caim, então, foi para as terras de Nod – terras da fuga ou terra dos errantes. Milhões de anos depois, o jornalista francês Henri Bernier completa esse entendimento, ao dizer: Um homem anda pelo mundo e sua terra viaja com ele, na sola de seus sapatos. Caim levou consigo um pouco da terra do Éden.

Nasci e cresci nas terras naturalmente salitradas de Areia Branca, onde o ar puro, que emana das salinas, move antigos cataventos e, com seu assobio em si bemol varzeano, invade as madrugadas e refresca as manhãs, ressoando pelas gamboas e pelos manguezais. Águas de alta salinidade abraçam a cidade, e impregnaram de salitre a sola dos meus sapatos, como marca benfazeja e indelével que, qual um ímã espiritual, me liga a esse belo recanto do Rio Grande do Norte, e me confere uma qualidade de vida física e espiritual que bem conheço, por senti-la.

O segredo do apego que temos à terra natal talvez esteja no ar que respiramos e na sola dos nossos sapatos.

 

 


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