Publicado por: Evaldo Oliveira | Julho 12, 2014

O INFERNO DE CADA UM

 

O jovem empresário paulistano, dono de um conglomerado de empresas, desabafava, com indignação, o seu desconforto com um amigo, ao telefone, no dia do jogo de quartas de final do Brasil com a Alemanha:

– Rodrigo, isso é um inferno! Pô, que vida! Convidei cinquenta pessoas ligadas à área de marketing e ao mercado imobiliário de São Paulo para assistirem ao jogo, e só vieram três. Mesmo assim, todos são ligados a diretorias de empresas do nosso grupo!

O empresário organizara uma recepção grandiosa, capitaneada por um chef de cozinha e seus sofisticados petiscos. Para o serviço, onde brilhavam taças do mais puro cristal, garçons davam os últimos retoques em taças reluzentes. Ele, sentado em seu sofá, tentava identificar elementos para aquela tragédia pessoal. Um inferno.

Na Bíblia Hebraica, o inferno – Xeol ou Sheol – era descrito como um local nas profundezas da terra onde eram lançados vivos aqueles que não adorassem a Deus. A terra se abriria e tragaria todos aqueles que rejeitavam Jeová. Ali, tais elementos viveriam numa privação eterna e num sofrimento irremediável, uma vida distante da luz, silenciosa e de sofrimento. No Salmo 86:13, lê-se: “Pois grande é a tua misericórdia para comigo; e livraste a minha alma das profundezas do Sheol”.

Na mitologia grega, o Universo foi dividido entre três deuses, cada um tendo a jurisdição sobre um domínio particular. A Zeus coube o domínio dos céus, assumindo o direito de governar os deuses. Poseidon tornou-se o deus dos mares, e a Hades coube reinar sobre o Mundo Subterrâneo. As mulheres assumiram as funções de deusa dos rios, deusa da lua, deusa do alvorecer, deusa da terra, da colheita e da fertilidade. Outras seriam ninfas e sereias.

O Mundo Subterrâneo era o lugar para onde eram levadas as almas logo após a morte. Quando a pessoa morria, Hermes vinha apanhar sua alma para guiá-la até o Mundo Subterrâneo. Para se chegar ao mundo dos mortos, era necessário atravessar o rio Estige. Havia o barqueiro dos mortos, de nome Caronte. Ele exigia uma moeda (óbolo) como pagamento. Contudo, ele apenas conduzia o barco, e era a alma que teria todo o trabalho de remar. Se a alma não tivesse o dinheiro para pagar o serviço, era obrigada a vagar depois da linha do oceano por cem anos, para, depois, ganhar o direito de entrar no barco.

Após ser recebido por Caronte, o morto tinha que passar por Cérbero, o cão de Hades, antes de entrar pelos portões do Mundo Subterrâneo. O cão tinha três cabeças, e adorava comer carne fresca. Mas Cérbero só atacava aqueles que queriam escapar, ou mortos vivos que queriam entrar.

Em função desse ritual, era hábito entre os antigos colocar uma moeda embaixo da língua dos entes queridos que morriam, para que fosse feito o pagamento dos serviços de Caronte e cruzar o reino dos mortos.

Em São Paulo, na Bíblia Hebraica ou na mitologia grega, o inferno.

Há como fugir dele?


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: