Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 28, 2014

ACERTOS NO OLIMPO

O imaginário conduzira-me a Cnossos, na Ilha de Creta: eu penetrara no Labirinto, de onde somente retornaria vestido de coragem e astúcia. Desenrolei o novelo e descobri Valquíria. Desvendara a chave dos mistérios com que Elêusis me desafiara. O Minotauro estava domado. Observei Ícaro e Dédalo… criei minhas próprias asas e alcei voo

Estes versos pertencem ao meu amigo Francisco de Assis Câmara, poeta e advogado, figura ímpar, de espírito inquieto, que brilha e reina em solo sagrado, próximo ao município de Monte Alegre.

O Labirinto foi construído para ser impenetrável. Por determinação do rei de Creta, Minos, Dédalo, o maior artesão da Antiguidade, pai de Ícaro, o infante dos voos argonáuticos, foi incumbido de construir um local seguro onde seria colocado o Minotauro, monstro com cabeça de touro e corpo de homem, e que se alimentava de seres humanos.

Teseu – um forte e belo rapaz – ofereceu-se como uma das vítimas, decidido a matar o Minotauro. Ariadne, a filha do rei Minos, apaixonou-se pelo herói e resolveu ajudá-lo, entregando-lhe um novelo de lã para que, no momento da saída do labirinto, não se perdesse naquele emaranhado de caminhos.

Os mistérios de Elêusis eram o mais famoso dos rituais religiosos secretos da Grécia antiga, realizado entre os séculos VI a.C. e IV d.C. Os participantes podiam ser, até, condenados à morte caso revelassem os seus segredos. Tratava-se de um ritual de iniciação, e tachado como coisa de pagão. Havia promessa de felicidade para os iniciados, e castigo para os que ignoravam os ritos sagrados. Feliz aquele que possui, entre os homens da terra, a visão destes Mistérios. Ao contrário, aquele que não foi iniciado e aquele que não participou dos santos ritos não terão, após a morte, nas trevas úmidas, a mesma felicidade do iniciado, dizia um trecho do “Hino a Deméter”, atribuído a Homero.

Desse modo, Assis Câmara penetrou no Labirinto, domou o Minotauro, vestiu-se de coragem e astúcia, desvendou a chave dos mistérios de Elêusis, observou Ícaro e Dédalo, construiu ele próprio suas asas e alçou voo com destino ao Sítio Asa Branca, o portal do saber.

Fomos informados, por fonte segura, de que, há alguns meses, Assis Câmara foi visto em um comboio na Transiberiana; tempos depois, foi flagrado na Ilha de Creta, na Grécia, montando um unicórnio azul. De quebra, foi visto sobrevoando a Capadócia em um balão.

Conversas com Zeus?


Responses

  1. Sua crônicas maravilhosas! Francisco de Assis grande poeta. Li um de seus livros de poesia (que recebi de presente na minha última viagem a Areia Branca), fiquei maravilhado. Que Deus abençoe vocês para que sempre escrevam suas crônicas e poesias.
    Agosto está chegando. Com a Graça de Deus, dia 13 de agosto estarei em Areia Branca para mais um encontro com meus queridos conterrâneos. Não sei se você sabe, o Chico de Neco Carteiro vai lançar seu novo livro neste mesmo dia.
    Um grande abraço e que Deus te abençoe

  2. Chico Brito, no dia 14 eu estarei naquele mesmo HOTEL em Upanema. Lá, com certeza nos encontraremos. Um abraço. Já comprei as passagens.

  3. Evaldo de Oliveira e Francisco de Assis, duas imponentes figuras, meus amigos; inegavelmente escritores e poetas do mais alto estirpe, que mantêm uma amizade fundamentada na lealdade, talvez impulsionados pelo mesmos objetivos de vida.
    Ambos conseguem, como as águias, habilidade para renovarem-se, vencerem os labirintos, domarem os minotauros e alçarem os mais altos vôos através de suas primorosas obras, um verdadeiro legado para os seus seguidores.
    Agosto está próximo, e terei muito prazer em revê-los, se o SENHOR assim nos permitir.
    Grande abraço.

  4. Evaldo, peço-te licença para, neste espaço, comunicar o falecimento de Manoel do Vale, pessoa impoluta dos anos dourados da nossa Areia Branca.
    Trabalhou na Mossoró Comercial e Navegação com muitos outros que já partiram para a morada eterna. Entristeceu-me a notícia, aflorando outras lembranças dessa época.
    Grande abraço.

  5. Grande Evaldo! Ė interessante a convergência de nossas inspirações. Do Minotauro a Paracelso. Só mesmo um “exame cicológico” para constatar o quanto somos “doidinh”. Essa freqüência de nossas sintonias explica a amizade e o compadrio. Fique certo que estou honrado em participar desse micro-conto, sua iniciação nos mistérios de Elêusis…

    A propósito, sábado passado fui com amigos à Serra da Borborema. Aproveitei a viagem e organizei um côro. O Exame Cicológico” fez sucesso.

    Outra coisa: não poderei estar em Areia Branca com vocês pois estarei presidindo, dia 13, a eleição para a direção de nossa academia jurídica.

    Finalmente, quero agradecer a Chico Brito e Sônia pelas elogiosas referências.

    Abraços para todos. Assis


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