Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 19, 2014

JULIETA, MEU AMOR

Quando William Shakespeare, no início de sua brilhante carreira literária, escreveu Romeu e Julieta – entre 1591 e 1595 –, talvez não imaginasse que, ao narrar a aventura amorosa dos dois adolescentes, estivesse também promovendo dois grandes movimentos: de um lado, o constante renovar de votos e esperanças de amor juvenil, que até hoje inebria jovens e adultos de todas as tribos. De outro, alavancando o desenvolvimento da cidade italiana de Verona. Ali, o turismo que envolve o enredo amoroso e trágico entre os dois jovens cada vez mais põe em movimento uma parcela da população mundial que – apesar de todas as contradições da modernidade -, ainda acredita na força do amor.

São milhares de pessoas que todos os dias se aglomeram naquela ruazinha estreita com as marcas da Idade Média a lhe conferir beleza e testemunho histórico. São jovens e adultos nem tanto, solteiros ou acompanhados, a disputar espaço para seus olhos, corpos, máquinas fotográficas.

Não há quem não se emocione ao vislumbrar o balcão no alto da parede onde supostamente dois amantes apaixonados trocaram juras de amor. Moçoilas, a todo momento, aparecem na sacada, com sua juventude, beleza e beijos endereçados para um Romeu do século XXI que, com seu smartphone, capta impressões seculares em meio a uma turba barulhenta a testemunhar, aos empurrões, o fugaz reflorescer de um frescor juvenil de quase cinco séculos.

Ao lado da casa de Julieta, casais deixam suas juras de amor trancafiadas em uma grade, presas por um cadeado. Um ritual estranho, mas bonito. Bem próximo, uma fila se forma a todo momento por homens e mulheres para sentir o encanto de passar a mão no seio esquerdo da estátua da bela adolescente.

Julieta Balcão

Cadeados

Na saída da pequena rua – e apesar de sua estreiteza -, um imenso mural escancara promessas de amor confirmadas por assinaturas de todos os rincões deste velho e vasto mundo.

E eu, naquele mural, deixei a minha.

Bulinação

Assinaturas


Responses

  1. Evaldo, contagia-nos com a descrição feita, quando da visita ao local de uma tragédia em que envolveu dois adolescentes apaixonados, ainda com toda esta repercussão nos dias atuais. Uma constatação de que o verdadeiro amor é imortal, independente de condições,quaisquer que sejam. Viveste um momento em que a emoção deve ter sido presença marcante em teu coração…
    Sentimos tua falta no blog, cônscios de que ocupavas beneficamente teu precioso tempo, e que nos traria um retorno como este.
    Bom retorno e que o Criador continue abençoando-te.
    Um abraço.

  2. Caro amigo! Como é lindo o amor. Infelizmente hoje em dia são poucos os Romeus e Julietas com um amor tão marcante. Voce sempre com suas crônicas maravilhosas.
    Que Deus esteja sempre presente em sua vida.
    Um grande abraço e que Deus te abençoe.
    Está se aproximando o mês de agosto para matarmos as saudades da nossa terra querida.


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