Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 1, 2014

MEDO, TERROR, um aspecto

Criança, Armando foi visitar, com um grupo de amigos, um colega de turma que estava aniversariando. Era um lanche no final da tarde, servido na casa do colega de turma, para comemorar o seu aniversário. Os garotos foram chegando aos poucos, trazidos por seus pais.

Quando Armando chegou, algumas crianças há estavam na casa. Da calçada dava para ouvir o vozerio da meninada. O portão estava aberto e, de dentro de casa, as outras crianças o conclamavam a entrar. Ao fundo, no quintal, uma menina muito bonita estava sentada em um galho baixo, próximo à grama bem cortada. Armando, de longe, fez ar de riso para a garotinha, e entrou pela garagem.

O lanche era servido à vontade, em mesas espalhadas pela sala. A mãe do anfitrião chamou a criançada para uma mesa e começou a mostrar fotos antigas do garoto, em especial das escolas onde havia estudado. Nesse momento, Armando falou, apontando para uma foto em especial:

– Quando eu cheguei, essa garotinha estava sentada no galho daquela árvore grande que fica ao lado da casa.

A dona da casa sorriu, brincou e, de forma carinhosa, expressou-se:

– Não pode ser, Armando, essa era a irmã dele – e apontou para o dono da festa – que morreu há dois anos.

– É, devo ter me enganado – falou Armando.

Há dois meses, com seus 38 anos recém-completados, Armando, hoje médico, foi à cozinha do apartamento tomar água antes de dormir, já quase meia noite. Ainda no corredor, percebeu um homem e uma mulher sentados no sofá, recostados com elegância. Olhou, conferiu e resolver dormir com sede, tranquilamente.

No dia seguinte, o porteiro lhe informaria que o casal era muito unido, e os dois foram os primeiros compradores daquele apartamento, e que ambos haviam morrido há muitos anos.

Em Stonehenge, livro de Bernard Cornwell que narra a história dos celtas que habitaram o interior da Inglaterra – hoje, Durrington Walls – dois mil anos antes de Cristo, há uma cena em que o principal feiticeiro de uma tribo respondeu, quando perguntado se realmente ele teria transformado a barriga dos inimigos em mijo, e que o céu iria queimar seu inimigo, e a terra recusaria seus ossos, e até os animais iriam se afastar do fedor de sua morte; que até os vermes e as larvas iriam recusar sua carne pútrida, e que iria secar até virar uma casca amarela, e os ventos o carregariam para os pântanos envenenados do fim do mundo, conforme gritara de forma tresloucada para o inimigo.

– Aprendi que a feitiçaria está nos nossos medos, que os nossos medos estão na nossa mente e que só os deuses são reais – respondeu o feiticeiro, baixinho, com voz pausada.

A real visão do medo dois mil anos antes de Cristo.


Responses

  1. “No amor não existe medo; antes, o verdadeiro amor lança fora o medo”. 1 João cap. 4 verso 18


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