Publicado por: Evaldo Oliveira | Setembro 14, 2013

NO BURBURINHO DE UMA FESTA POPULAR, UM JOGO DE AMARELINHA

Rio Grande do Norte, Areia Branca. Festa de Nossa Senhora dos Navegantes. Agitação, calor, multidões em movimento, no típico vai e vem dos grandes eventos. Pessoas apressadas, garrafinhas de água na mão, eflúvios de sucos, picolés e refrigerantes, cheiro de pipoca, filas para embarcar para a procissão marítima, abanadores em ação. Corre-corre desenfreado, desencontros, reclamações, abraços, rostos em pletora. Católicos em festa.

Retornava da área de embarque para a procissão marítima, ao longo do cais junto à Rampa, e me dirigia no sentido da prefeitura. Na pracinha, em meio ao burburinho de uma pequena multidão, duas meninas com vestidos de festa corriam entre os bancos, onde se estampavam nomes de pessoas do passado, marcando no hoje os rastros do tempo.

De repente, as duas garotinhas apanharam um graveto e começaram a riscar o chão de areia da pracinha. Riscos, rabiscos, as duas se movimentando com a sintonia de quem sabe o que faz. Logo, um aviãozinho surgia no chão seco, convocando as duas para um jogo de amarelinha. Meu Deus, pensei – há quanto tempo não vejo isto! Parei.

Parei e fiquei observando a desenvoltura das duas menininhas. Pulavam,  agachavam-se, jogavam a pedrinha nas casas numeradas do avião, e uma delas chegou ao céu. Confraternização  entre as contendoras; uma festa particular, com uma gritaria no exato tom da infância.

Enxerido, comprei um pacote de castanhas de caju e lhes ofereci.

Obrigado, não quero. Mas aceito aquele sorvete.

E apontou para um carrinho exposto ao sol, onde repousavam copos de plástico com um sorvete meio derretido, misto de não sei o quê com uma cobertura de sabe Deus de quê. Assim foi feito, e as duas se lambuzaram à vontade, com a alegria refletida em seus olhinhos com a específica refração da inocência.

Festa popular. Multidões, alegria, confraternização.

Em meio ao tumulto, uma fresta do tempo. Valeu o dia.


Responses

  1. Dizia um poeta russo, Tcheckov ou Dostoievsky, não sei, que para ser universal é preciso cantar a própria aldeia.
    É isso o que você tem feito, Evaldo.
    Continue, cante a sua aldeia para ser universal.
    Abraço,

    Omar


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