Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 14, 2013

A ESTRANHA DOENÇA DE DONA CASSIOLINDA

Pensativa, dona Cassiolinda, sentada na antessala do consultório do oftalmologista, estava preocupada com o diagnóstico que  seu médico e amigo, o Dr. Bevacizuma, havia feito em relação à redução progressiva de sua acuidade visual: Degeração Macular Relacionada à Idade.

Com os resultados dos exames em um envelope, a paciente aguardava ansiosa pela chamada do médico. Os exames solicitados – Angiofluoresceinografia, Ultrassonografia Diagnóstica, Tomografia de Coerência Óptica, Retinografia – haviam transformado sua semana em um pesadelo. Vem aqui, olha nessa janelinha, pinga colírio, olha para cima, para baixo. Finalmente, o médico apareceu e o seu nome foi ouvido na sala de espera.

No consultório, o médico analisou cada exame. Olhava aquela papelada com interesse. Voltou a olhar um exame que já examinara, e falou com ar de seriedade:

– Dona Cassiolinda, sua Degeneração Macular Relacionada à Idade foi confirmada pelos exames, e é da forma exsudativa, a forma mais grave da doença. Agora, temos que tratá-la de forma adequada para que sua visão melhore ou, na pior das hipóteses, sua acuidade visual não se deteriore. A primeira aplicação do medicamento será feita daqui a dois dias, pela manhã, certo? Entregue esses relatórios no seu plano de saúde.

Dona Cassiolinda pegou os papéis entregues pelo médico e pôs em um envelope. Em casa, cedendo à sua imensa curiosidade, deparou-se com o nome do procedimento a ser realizado em seu olho: uma sessão de angiomodulação intravítrea (AmFi) ou farmacomodulação angiogênica, ou terapia antiangiogênica, ou terapia anti-fator de crescimento endotelial vascular (vascular endothelial growth, factor VEGF), ou ainda tratamento ocular quimioterápico com antiangiogênico com o medicamento ranibizumabe.

Apavorada, dona Cassiolinda desabafou com Orminda, sua irmã mais nova, que a orientou a conversar com Glauco Ahmed, um parente que era oftalmologista, que sorriu ao perceber a ansiedade de sua velha amiga:

– Acalme-se, Cássia, sua doença tem até uma sigla – DMRI, e o tratamento que seu médico propõe pode ser reduzido a três palavras: Aplicação intravítrea de Lucentis.

Mais calma, dona Cassiolinda deu boas risadas, relembrando o discurso do sobrinho do Dr. Bevacizuma, quando da solenidade de conclusão do ensino médio, em que fora o orador. Lembrava perfeitamente das palavras de Odarpola, e ria ai ao ler a prescrição do seu médico.

Dirigindo-se a sua irmã, dona Cassiolinda leu a cópia do discurso de Odarpola a professores, familiares e convidados: Senhoras mestras, senhores gestores educacionais, senhores genitores – refiro-me, aqui, àqueles que resolveram assumir o primeiro degrau de uma linha ascendente de parentesco, ou seja, os pais. Compareço a este púlpito fustigado por intensos atropelos borborigmáticos detonados por uma inclemente e destemperada fisiose que me corrói as entranhas. Porém nada disso me tira o ânimo e a disposição para a luta. Neste momento solene, proponho aos senhores uma análise dos diversos resultados que, com certeza, sugerirão uma oportunidade de verificação dos índices pretendidos, que vão incentivar o avanço tecnológico, com a expansão das atividades de nossas instituições, ao tempo em que assumimos importantes posições na definição das condições apropriadas para o sucesso de nossos negócios. Do mesmo modo, não podemos esquecer que o novo modelo estrutural preconizado facilita a definição das opções básicas para o sucesso do que ora propomos. Por outro lado, a complexidade dos estudos efetuados auxilia a preparação e estruturação de um caminho para chegarmos aos índices pretendidos. A prática tem mostrado que o desenvolvimento de formas distintas de atuação contribui para a correta determinação dos conceitos de participação geral. Isto posto, nunca será demais repetir que a constante divulgação das informações facilitará em muito a definição de nossas proposições, na luta por um futuro melhor para todos. Tenho dito!

As duas irmãs riram a tarde inteira, ao lembrar do Dr. Bevacizuma e seu sobrinho, concluindo  que ambos eram portadores de um mesmo mal: prolixidade.

 

 

 

 

 

 


Responses

  1. Dr Evaldo estou mais confusa que a Dona Cassiolinda.
    Na verdade o meu pobre conhecimento sobre medicina tambem me deixaria enlouquecida se tivesse que fazer todos estes exames.
    Um abraco.


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