Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 11, 2013

IMBRÓGLIO POLICIAL MILITAR NO HOSPITAL

Dr. Julio Contreras, hoje aposentado e morando no Peru, viu-se envolvido em um imbróglio policial que jamais esqueceria. No início da década de 1990, um sargento de uma unidade das Forças Armadas, contumaz agressor de sua esposa, foi conduzido à delegacia em total estado de embriaguez. Lá, uma delegada muito bonita tomou o depoimento da esposa e o deixou trancafiado até passarem os efeitos da carraspana. Na saída, o militar jurou a delegada de morte.

Dias depois, em uma manhã de domingo, o militar – novamente embriagado – dirigiu-se à  delegacia para cumprir sua ameaça, pois sabia que a delegada estaria de plantão naquele dia. Dirigindo em alta velocidade, já no último retorno para chegar a delegacia, bateu em um táxi. Saiu do carro com a arma em punho, e o taxista correu e se abrigou na delegacia, que ficava a uns cem metros. No estacionamento havia um carro da polícia estacionado. O taxista, muito nervoso, contou o que havia ocorrido, e um oficial saiu para conversar com o militar, acompanhado de dois soldados.

O militar, de arma em punho, atirou e matou o oficial, que usava colete à prova de balas. O tiro acertou a fúrcula esternal, esse pequeno espaço abaixo do pomo de Adão. Em seguida, baleou o soldado que vinha na frente. O policial que vinha atrás acertou o militar com um tiro. O militar caiu e foi dominado. Em seguida, em meio à confusão, o militar e o soldado ferido foram levados para o hospital regional. De pronto, viaturas da polícia foram chegando ao hospital, avisadas do ocorrido pelos colegas que, exaltados, procuravam pelo atirador. E o tumulto foi tomando corpo no Pronto Socorro.

Os policiais civis do plantão da delegacia chegaram ao local do incidente logo em seguida, tomaram as providências de praxe e correram para o hospital, onde a confusão se estabelecera. Lá chegando, a delegada providenciou que escondessem o militar em lugar seguro e comunicou o ocorrido ao quartel onde o sargento trabalhava, ao tempo em que se digladiava tentando conter os policiais na entrada do pronto socorro e em algumas dependências do hospital. Os médicos do centro cirúrgico – ao tempo em que operavam o policial ferido – providenciaram que o militar fosse escondido em suas dependências de repouso para que ficasse em segurança, até ser resgatado, por uma porta lateral, pelos soldados do seu quartel, e conduzido a um hospital militar, onde foi submetido a uma cirurgia. Toda essa operação foi coordenada pela delegada.

Um homem transtornado.

Uma vida salva pela pessoa que o militar saíra de casa para matar.

 


Responses

  1. Prezado Amigo.
    Na Universidade da Vida, a cada momento nos deparamos com uma lição nova que, uma vez assimilada, será incorporada à nossa bagagem de sabedoria.

  2. Só os nobres saem em defesa de seus pretensos algozes.
    Me fez lembrar Voltaire: “Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la”

  3. Muito interessante o que o senhor Dr Evaldo escreveu.
    Nao somente, o fato , da violencia , deste homem como da capacidade da delegada, que mesmo sabendo que se tratava de uma pessoa extremamente perigosa, fez o seu trabalho, colacando em primeiro lugar o seu dever de proteger o ser humano.
    Todos os dias se aprendem licoes na vida.
    E para isto que estamos aqui para aprender sobre a humanidade e sobre a nos mesmo. Temos que mexer com os parafusos soltos no nosso celebro para descobrirmos quem somos. e tambem os que nos rodeam
    Um abraco.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: