Publicado por: Evaldo Oliveira | Agosto 4, 2017

REFLEXÕES DE UM EX-DIRETOR

Dois anos depois de ter se desligado da Coordenação Geral da empresa Resoluções Voltaicas Ltda, Roberto finalmente decidiu: voltaria a trabalhar em outra empresa. É que ele havia se aventurado na prestação serviços de assessoria a empresas de grande porte, porém o negócio evoluiu de forma insatisfatória, e ele estava retornando ao mercado de trabalho.

Admitido como Assistente Técnico, apresentou-se e iniciou suas atividades com disposição de estagiário. Sua estação de trabalho era a última, no final da sala, próximo à copiadora, mas isso não o desestimulou. Apenas lembrou-se de que, antes, tinha uma sala imensa só para si, com dois telefones sobre a mesa e dois celulares corporativos, além de uma secretária.

No segundo dia, ao assumir de fato o trabalho, percebeu que seu computador era tão antigo que tinha até janela para disquete. Entrada para pen drive? Nem pensar. O telefone tocou, e alguém lá na frente gritou: “Atende aí, Roberto”! Sentiu sede, e teve que ir buscar água no bebedouro, que ficava na copa. E o copo era de plástico. Foi aí que percebeu que alguns colocavam água em uma embalagem de refrigerante, pois assim demorariam mais tempo sem ir à copa para reabastecimento.

A copa era ponto de aglomeração dos funcionários que iam lanchar, beber água e bater papo. A visita à copa era uma festa. No primeiro dia, estranhou o mecanismo que acionava a descida do copo, em frente ao bebedouro. Assustou-se, pois achou que o copo ia cair no chão, e ele, o copo, se postou acrobaticamente na parte de baixo, em posição de uso.

Na copa havia um verdadeiro festival de comidas, e as conversas não fugiam a dois itens básicos: futebol e mulher, para os homens, e receitas de pratos, com as últimas fofocas da televisão para as mulheres. Não valiam as antigas. Fora disso, o papo era sinistro. Falavam da alta chefia da empresa, e não se importavam com sua presença. Quando era diretor, os funcionários ficavam mudos ao perceberem sua aproximação. No emprego anterior, o lanche era oferecido pela empresa, e servido em uma sala reservada à Diretoria. Sem falar na qualidade.

O desconforto com o crachá pendurado no pescoço era evidente, assim como o constrangimento quando da colocação do indicador na máquina de ponto no início e no final do expediente.

Mas por essa ele não esperava. Na segunda semana de trabalho, recebeu um e-mail pedindo dinheiro emprestado. No início achou que fosse brincadeira. Mas seu colega, na entrada da sala,  erguia o polegar direito, confirmando a veracidade do texto,  ao perceber que ele estava lendo a correspondência eletrônica. E ele quase não conhecia o pretenso tomador do empréstimo. Mal o cumprimentara na copa. Sabia apenas seu primeiro nome: Anacas que, veio saber depois, era resultado da junção do nome da mãe – Ana – com o do pai – Castilho. E Roberto disse adeus a cem reais antes de receber o primeiro pagamento.

À noite, em casa, com o corpo cansado e a mente fervilhando, o ex-diretor chegaria a uma peremptória conclusão: era um orelha seca.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Julho 28, 2017

DE OLHO EM PERNAS LINDAS

Quando trabalhava no Conasems – Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde -, participava com frequência de reuniões do Conselho Nacional de Saúde, que funcionava no anexo do prédio do Ministério da Saude.

O Conselho Nacional de Saúde agrupa pessoas das mais variadas representações do poder público e da sociedade civil, com o objetivo de analisar, discutir e sugerir alterações de propostas governamentais que visem à melhoria da assistência à saúde em todo o Brasil. Era assim que eu entendia. Entre os grupos que ali defendem seus interesses, há alguns que representam entidades constituídas por portadores de patologias e deficiências.

As reuniões eram frequentes, e a assembleia acontecia em torno de uma imensa mesa de forma elipsoide, com um espaço vazio no meio, de tal modo que as pessoas, mesmo um pouco distantes umas das outras, ficavam em um cara a cara quase sem querer querendo.

Certo dia, após uma reunião que durou toda a manhã e boa parte da tarde, uma senhora de cerca de cinquenta anos reclamava com grande ênfase, em uma pequena reunião que se seguira ao encerramento da sessão:

– Não tem cabimento o que aquele senhor que estava sentado à minha frente fez durante toda a reunião. Não tirou os olhos das minhas pernas um só minuto, disfarçando com seus óculos escuros. Eu sei que minhas pernas são bonitas, mas exijo respeito!

Alguém se aproximou e falou baixinho:

– Aquele senhor é cego. Ele representa uma associação de deficientes visuais, e aquela senhora ao seu lado é sua esposa, que escreve tudo que é discutido.

Silêncio no grupo. A mulher pegou o bilhete de passagem e foi para o aeroporto, sem nada falar.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Julho 21, 2017

A ESTRANHA SIMBOLOGIA DOS DEUSES

Por que o bastão de Asclépio é considerado o símbolo da Medicina? Algumas instituições confundem o bastão do deus da Medicina com o caduceu, o emblema de Hermes. O caduceu consta de um bastão em torno do qual se entrelaçam duas serpentes e cuja parte superior é adornada com asas. O bastão de Asclépio tem apenas uma serpente enroscada em todo o seu comprimento.

O caduceu é um antigo símbolo – 2600 anos a.C. – associado ao equilíbrio moral, ao caminho de iniciação e ao caminho de ascenção. A serpente da direita representa a vida livremente dirigida; a da esquerda, vida fatal e a luz equilibrada. O caduceu era a ferramenta de Hermes, deus do comércio, da eloquência, dos viajantes, dos arautos e comerciantes. Nada tem a ver com a medicina.

Asclépio era filho de Apolo com a mortal Corônides, que o traiu com Ísquis. Corônides foi morta pela irmã de Apolo, a mando deste, e a criança foi retirada de seu ventre após a morte, o que se configura na primeira cesariana da história da humanidade. Asclépio foi entregue ao centauro Quíron, considerado um magnífico e experimentado cirurgião. O centauro repassou seus conhecimentos de medicina e cirurgia para Asclépio, que se tornou um médico tão excepcional que Hades, o deus do submundo – deus dos mortos – pediu a Zeus que mandasse seus ciclopes fulminar o médico com seus raios. Indignado, Apolo sequestrou os ciclopes de Zeus e só os devolveu depois de ter o filho de volta, agora como um semideus. Os mortais não podiam ser deuses.

De que modo teria surgido o bastão e a serpente como símbolo da medicina? Na antiguidade, as infestações por vermes parasitas eram muito comuns. A filária (Dracunculus medinendis)* percorre o corpo da vítima por baixo da pele. Os médicos tratavam essas infestações fazendo uma pequena incisão na pele, sobre o túnel por onde se desloca o parasita. Quando o verme emergia pela incisão, os médicos cuidadosamente enrolavam a larva em um palito para aos poucos retirá-la . Os médicos começaram a usar isto como ícone de sua profissão. Um verme enrolado em um palito.

Caduceu. Símbolo do Comércio, da Contabilidade, da Comunicação.

Bastão de Asclépio. O verdadeiro símbolo da Medicina

As primeiras logomarcas da História?

Evaldo Alves de Oliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

(*) Em nosso meio, temos a Larva Migrans Cutânea, conhecida como bicho geográfico, causada por estágios larvais das espécies de Ancylostoma braziliense e Ancylostoma caninum.

Publicado por: Evaldo Oliveira | Julho 14, 2017

A PRINCESA DO VÊNETO

Verona é uma linda cidade italiana da região do Vêneto – cuja capital é Veneza -, e conta atualmente com 258 mil habitantes. Fundada pelos Celtas, Verona foi colônia romana no ano 89 a.C., com o nome de Augusta. A cidade foi declarada patrimônio da humanidade pela Unesco em função de sua estrutura urbana e sua arquitetura.

Como acontece com quase todas as cidades medievais, Verona é cercada por uma linda e bem preservada muralha – esta, bastante alta -, que nos impressiona logo na chegada.

Fora da muralha encontramos a Arena di Verona, quase uma réplica do Coliseu, porém é ainda mais antiga. Foi construída no início do primeiro século da era cristã, utilizando-se blocos de calcário branco e cor de rosa, com capacidade para acomodar cerca de 20 mil pessoas nas apresentações regulares que ainda hoje lá acontecem.


Arena nos shows – internet

Quase ia esquecendo. Verona é a cidade onde se passa uma das histórias de amor mais famosas do mundo – Romeu e Julieta, escrita por William Shakespeare. A casa de Julieta (família Capello) ficava em uma vila, no centro da cidade, fora dos muros. A casa, de tijolos aparentes e disposta em três andares, foi construída no século XIII. De sua sacada, Julieta falava com Romeu. Por conta dessa estória de amor, Verona é mundialmente conhecida como cidade dos namorados, fato que atrai milhares de turistas.

Reformada em 1935, a Casa de Julieta e seus arredores ainda inspiram suspiros apaixonados de homens e mulheres de todas as idades. Há ainda a possibilidade de se colocar um cadeado do amor com as iniciais dos amantes em umas grades, na rua em frente, ou deixar seu recado em um painel que fica próximo. Deixemos nossos rastros por aqui, trancando ou riscando.

Verona não é só Romeu e Julieta. Parte da História Universal mora ali.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Julho 7, 2017

UM SEGURANÇA SEGURO DE SI

Brasília, 1973. Ainda com as lembranças de sua recente formatura em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Eunápio aqui chegava com sua mala repleta de sonhos, em meio a alguns legítimos queijos de Caicó. Logo se matriculou em um curso de pós-graduação, ao tempo em que saíra em busca de pequenos trabalhos em sua área de atuação preferida – direito agrário.

Com sua boa altura – media 1,95 m – e seu sorriso de vendedor de dicionários, Eunápio Acevedo facilmente ganhou a simpatia de todos no bloco residencial em que morava com alguns amigos de Natal.

Naquela noite, logo que saiu do curso de pós-graduação e se dirigia para casa em seu fusca bege, sentiu algo lhe forçando as entranhas, da cintura para baixo. Fez o que pôde para chegar rápido em casa. Estacionou o carro, forçado por uma forte dor na barriga e, sem qualquer chance, fez o serviço ali mesmo ao lado da porta, entre dois carros. Um guardanapo, que até então acomodara um pão de queijo, assumiu função libertária. Aliviado, dirigiu-se ao seu edifício com cara de safado. Mas reconhecia que não havia outra forma de solução.

Nada comentou com os amigos, em casa. No dia seguinte, bem cedo, Eunápio se dirigia faceiro para seu fusca bege quando foi interceptado pelo segurança.

– Doutor, um cabra safado cagou junto à porta do seu carro.

Com cara de sério, o estudante de pós-graduação perguntou:

– Como é que você sabe que foi um cabra safado que fez esse serviço?

– Ah, doutor! Bosta de cabra safado eu conheço de longe. Só tem porcaria!

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 30, 2017

UMA INCELENÇA PARA OSOVREN

Osovren resolveu mudar-se para o interior da Paraíba. Corria o ano de 1955, e a escassez de trabalho forçara a decisão da família. Adquiriu um terreno na zona da mata paraibana, próximo à cidade de Pilar. Tinha uma casinha no fundo, algumas árvores em estado de ressecamento e cinco cabritos comedores de tudo.

Alguns parentes de sua esposa residiam em sítios das redondezas, e logo o casal faria novas amizades. Um ano depois da mudança, Arcanja, a esposa, começou a apresentar sintomas de uma estranha doença. Sentia-se cansada e com falta de ar. No mês de julho do ano seguinte, a doença piorou e Arcanja morreu, para tristeza e irritação de Osovren.

A notícia da morte logo se espalhou pelos sítios e fazendas próximos, e à noite algumas pessoas se dirigiram para a casa da falecida, em pequenos grupos, cada um entoando cânticos pelas veredas e pés de morros. Na chegada, um caboré sonolento, que pousara em uma caveira de boi ressecada, no alto de um mastro, fugiu apressado. Osovren serviu café com bolacha aos presentes que, em seguida, formaram uma roda em torno do caixão rústico, feito ali mesmo. Uma lamparina iluminava cada um dos cantos da sala, onde se destacavam grumos de pucumãs no alto das paredes e nos caibros. Alfenim, o cão, saiu de fininho e procurou abrigo entre as pernas do seu dono. E deram início à rezação.

Foram surgindo cânticos lamuriosos, com augúrios e bendizenças, acompanhados de versos de improviso. A melodia era triste, e algo assim era ouvido na escuridão da noite quente: Uma incelença de Nosso Sinhô… Veste esta mortalha, foi Deus quem mandou.

Osovren percebeu que aquilo parecia um excerto extraído de seu passado recheado de privações. E todos repetiam a mesma frase, em uma ladainha que parecia obedecer a uma melodia, qual um cordel religioso. Em seguida, surgiu algo assim: Ó meu pai, em vou pro céu, doze anjins vão me levando. De tudo eu vou me esquecendo, só de Deus vou me lembrando. Osovren, na varanda da casa, aborrecia-se com aquela cantilena repetitória, mas entendia os bons fluidos que emanavam dos votos em louvor a Arcanja.

Os meninos dormiam. O dono da casa já ouvira alguns cânticos entoados em meio a orações contra males, tempestades e inundações, assim como em rogativas para acabar com as estiagens que castigavam a região onde morara. A certa altura, já escancarada a madrugada, o grupo iniciou uma cantoria diferente, e Osovren apurou o ouvido: Pelas sete marteladas que Cristo levou na cruz…

O sertanejo não se conteve. Com um facão em riste, partiu furioso na direção dos cantantes e urrava, seguindo a melodia que o grupo entoava: Pelas sete facãozadas na cabeça de vocês… Formou-se um grande tumulto, todo mundo correndo, tentando se proteger dos golpes desfechados por Osovren. Algumas pessoas escondiam-se atrás de árvores, enquanto outros foram vistos em disparada, escuridão a dentro, aos gritos e excomungos. Alfenim foi encontrado no dia seguinte, tocaiado debaixo da cama.

Três pessoas assistiram ao enterro de Arcanja; Osovren e dois cunhados. Alfenim preferiu não se arriscar. Ficou em casa.

Incelença – A incelença constitui uma forma de expressão musical típica da Região Nordeste, geralmente atrelada a costumes fúnebres (falecimentos, missas de sétimo dia e festejos relacionados ao Dia de Finados). A origem da incelença deriva de rituais fúnebres lusitanos – tradições mouriscas adaptadas à realidade católica. No Brasil, seu uso remonta aos primórdios da colonização. Segundo a crença, a interrupção da incelença, antes de seu término, traria como consequência o comprometimento da salvação da alma do defunto e diversos infortúnios à sua parentela. Esses rituais dividem-se em Incelenças da Hora – objetiva comunicar o falecimento aos parentes -, as Incelenças da Mortalha -, realizadas após o falecimento, quando se põe a mortalha no defunto -, e as Incelenças de Despedida. Há também as Incelenças de Chuva, realizadas na região do semi-árido nordestino. (fonte: internet).

Texto publicado em 2011.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 23, 2017

EM PARIS, uma ponte ameaçada pela paixão

Saindo do Louvre, ainda sob o enlevo que a contemplação de um museu nos brinda, bem no momento em que as luzes da cidade foram convocadas para substituir o sol, e ainda com lampejos de um fugidio claro-escuro, uma ponte se oferecia inteira aos nossos passos. Não era tão bonita quanto a maioria das pontes do Sena, que naquele início de noite estava sendo invadido por embarcações de todas as cores, lembrando as rodas gigantes e os carrosséis de cavalinhos que iluminaram nossa infância.

O piso da ponte de pedestres era de madeira, e em suas laterais não se percebia nenhuma estátua ou alegoria para chamar de linda.

Mas algo chamava a atenção de todos. Em ambos os lados da Ponte dos Amores,

milhares de cadeados ali dispostos abdicavam de sua função primordial para assumir a titularidade de uma jura. São provas de um amor insubstituível, sem fim; alguns para sempre, a maioria com curto prazo de validade.

Os casais, abraçados, chegam, fazem juras de amor eterno e ali deixam o fogo de sua paixão marcado naquela ponte, representado por um cadeado, sob um acalanto de juras e trocas de afagos. Amores que durarão bem mais do que todo aquele arsenal de ferro e bronze ali travado, preso por um cadeado com duas iniciais pintadas, como se fazia antigamente nas árvores da nossa juventude. Não presenciei nenhum casal jogando fora as chaves. Pelo sim pelo não…

Nós, adolescentes de pequenas cidades do interior, deixávamos as marcas dos nossos amores escritas em calçadas recém-construídas ou reformadas. Éramos os pichadores de então.

E os cadeados foram se amontoando, até que a velha Ponte dos Amores (na realidade, Pont des Arts) passou a exibir sinais de artrose e hérnia de disco. E o governo agiu rápido. Trabalhadores de Paris foram orientados a retirar as centenas de milhares de cadeados, com temor de que o peso imposto pelos símbolos românticos estivesse deixando a estrutura do século IXX em situação de risco.

Foto da internet

Os registros e as provas de amor sobreviverão.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 16, 2017

PIRÂMIDE INVERTIDA DO LOUVRE

A pirâmide do Louvre, projetada pelo arquiteto I. M. Pei, foi encomendada por François Mitterrand, em 1984. Com uma altura de 20 metros e uma base com 35 metros de lado, foi construída em segmentos de vidro (603 peças de losangos e 70 segmentos triangulares.

A grande pirâmide serve de entrada principal do Museu do Louvre desde o ano de 1989, quando foi concluída. Hoje é um ponto de referência para a cidade de Paris.

Em O Código da Vinci, Dan Brown deu força a um mito. É que o protagonista Robert Langdon refere que esta pirâmide, a exigência expressa do presidente Miterrand, tinha sido construída exatamente com 666 painéis de vidro, um pedido bizarro, que tinha sido sempre um tema quente entre os amantes da conspiração que alegaram que o 666 fosse o número de Satanás.

Outra pirâmide, hoje tão famosa quanto a pirâmide superior, é a Pirâmide Invertida. Localizada no interior do Carrossel do Louvre, foi construída com a mesma lógica da pirâmide de cima, porém menor. Seu extremo quase chega a tocar uma pirâmide de pedra, bem menor.

O personagem Robert Langdon, ainda em O Código da Vinci, descobre que essa pequena pirâmide de pedra é, de fato, o topo de uma câmara secreta onde estaria o túmulo de Maria Madalena. Nesse romance, a pirâmide invertida é percebida como um cálice, um símbolo feminino, enquanto que a pirâmide de pedra é interpretada como uma lâmina, um símbolo masculino. O relato de que na Igreja Saint-Marie-Madeleine – que não lembra uma igreja -, situada próximo ao Louvre, encontra-se um relicário contendo o fêmur de uma mulher que teria morrido há dois mil anos esquenta a discussão.

Saint-Marie-Madeleine

Três pirâmides em uma. O mistério continua.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 9, 2017

CAPADÓCIA, O PASSADO HOJE

Quando se viaja para a Turquia, um ponto no mapa nos impõe uma determinação. Conhecer a Capadócia. Lá, entramos em contato com formações geológicas distintas e únicas, decorrentes de fenômenos vulcânicos e da erosão. O Parque Nacional de Göreme – uma das áreas mais famosas da região – foi declarado Patrimônio Mundial pela Unesco. Essas características deram origem a paisagens que são frequentemente descritas como lunares, com formas caprichosas. A maciez das pedras permite que os humanos as escavem e ali construam suas habitações, inclusive hotéis.

Na região, o ponto literalmente alto da viagem é o passeio de balão. Difícil descrever a emoção de ser suavemente elevado às alturas juntamente com outras vinte e três pessoas dentro de um balão. E com toda segurança.

Antes do voo

Durante o voo

Ajudando na chegada

Pousando no reboque

Um brinde à vida, na chegada

O certificado

Capadócia, um sonho acordado. Simples assim.

Evaldo Oliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 2, 2017

A CÚPULA DO PANTEON ROMANO EM MINHA CASA

Chegava em casa depois de mais uma jornada de trabalho, trazendo nas mãos alguns pães integrais de uma padaria que fabrica suas delícias utilizando um fermento natural. De uma certa distância, percebi um pequeno ponto cor de tijolo na parede da garagem. Fechei o foco naquela pequenina estrutura e fui chegando mais perto. Não acreditei. Puxa vida! O Panteão romano! E viajei nas asas da História Universal.

O Panteão – em latim, Pantheon – é um belíssimo edifício na área central de Roma. Com sua construção encomendada pelo general romano Marco Agripa, e iniciada durante o reinado do imperador Augusto (27 a.C – 14 d.C), o Panteão foi reconstruído por Adriano por volta do ano 126.

Sua planta circular –, simbolizando a abóboda celeste -, com um pórtico de grandes colunas coríntias de granito, é coberto por uma enorme cúpula de concreto e encimada por uma abertura central (óculo) descoberta, por onde penetra a luz do sol, única fonte luminosa ali existente, fora a porta de entrada. Ainda hoje, é a maior cúpula de concreto não reforçado do mundo. A altura do piso até o óculo e o diâmetro da circunferência inferior são iguais, 43 metros. O Panteão é uma das mais bem preservadas estruturas romanas antigas.

No transcorrer de um dia, a luz do óculo passeia pelo espaço, em um movimento inverso ao de um relógio de sol. No alto, o óculo funciona ainda como sistema de resfriamento e ventilação do edifício. Por ocasião de chuvas e tempestades, um sistema de drenagem no piso remove a água que escorre pela abertura.

De volta à realidade, dei-me conta de que se tratava de uma belíssima construção feita por um pequenino inseto semelhante a um marimbondo. Olhando através do pequenino óculo, percebi em seu interior algumas larvas dispostas lado a lado, imitando caríssimas garrafas de vinho em uma adega primitiva.

Seria uma mini vespa? Embora não sendo abelha, seus estilos de vida se aproximam, pois algumas espécies de vespa produzem mel.

Uma cúpula, um óculo, uma família. Uma ode à vida.

Que venha uma taça de vinho branco!

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

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