Dona Christianny estava em êxtase. Nascera Murivaldo, o primeiro filho, o primeiro sobrinho e também o primeiro neto da família. A alegria tomava conta de todos no clã dos Souza e Silva, e as comemorações se sucediam. Ontem, na casa do tio Ephlúvio, hoje no quintal da tia Édyna e no domingo na casa dos pais, Porfyrio – chamado de Profiro – e Christianny D’Ângelo.
Porém havia um problema. Quem seriam os padrinhos do rebento? Pensaram, discutiram e chegaram ao consenso: convidariam John Kennedy e Jaqueline para padrinhos. Pediram a um amigo que fizesse uma missiva e a enviaram à embaixada dos Estados Unidos. Dias depois chegava uma correspondência respeitosa da embaixada americana, justificando a impossibilidade de o presidente aceitar o convite, em face dos compromissos internacionais já assumidos, e que se sentiam lisonjeados com o convite etc.
Murivaldo não foi batizado, e todos na família sentiam-se orgulhosos com o desdobramento do caso, e já consideravam os pretensos padrinhos como pessoas da família.
Dois meses depois veio o assassinato do presidente em Dallas, no Texas, e a família de dona Christianny e Porfyrio entrou em clima de total desespero. Em casa, a televisão permanecia ligada o dia inteiro nos noticiários da imprensa, e havia muito choro e sofrimento.
Uma semana depois do enterro, dona Christianny ainda estava inconformada com o acontecido, e a todo momento recebia condolências dos amigos e familiares.
À noitinha, sentada na varanda, a dona da casa recebeu a visita de uma amiga.
- Christianne, você está muito abatida. O corpo do presidente já foi enterrado, as coisas já se acalmaram lá em Washington. Você tem que entender que o presidente não está mais sofrendo.
- A minha sofreguidão não é por causa do presidente – respondeu Christianny secamente. Eu me preocupo é com a comadre Jaqueline.
Evaldo
Só você para me fazer ri, como agora, amigo! Que mente mais “astusiosa”!… E quão pretensiosa é esta D. Cristianny fazendo-se de comadre da viúva do Presidente John Kennedy que sequer tinha conhecimento de sua existência? Mamãe diria assim: “… Quer entrar no céu à força?” Excelente texto, menino!
Sônia
Por: sonia em Outubro 18, 2011
às 11:08 pm